quarta-feira, 8 de abril de 2009

Dia da Natação


Na Europa durante a Idade Média, os banhos e as termas foram proibidos nas cidades pois eram tidos como foco de vícios e depravação. Os povos acreditavam que as grandes pragas eram espalhadas por meio da água e evitavam a natação. A partir de 1700, o esporte reconquistou sua popularidade.

A natação foi uma das primeiras modalidades a fazer parte de uma Olimpíada. Desde 23 de junho de 1894, quando o barão Pierre de Coubertain, apoiado por amigos e inúmeras celebridades, inaugurou os Jogos Olímpicos Modernos, atletas de todas as partes do mundo superaram limites nas raias da maior de todas as competições. Abílio Couto foi o primeiro brasileiro a atravessar o Canal da Mancha, com 34 anos, em 1958, feito que se repetiu duas vezes no ano de 1959.

Em uma Olimpíada, a natação é um dos esportes nobres. A Fédération Internationale de Natation Amateur (Fina) rege o esporte no mundo hoje. Hoje em dia os jogos olímpicos reúnem atletas de todos os países do mundo e estes se dedicam um bom tempo de suas vidas em treinamentos fortes para superar seus limites nas raias da maior de todas as competições. Em 1920, na Antuérpia, a equipe verde e amarela fez sua estréia em uma Olimpíada e foram necessários mais de 32 anos para que o primeiro nadador subisse ao pódio. A natação brasileira trilha um longo caminho nas águas turbulentas da elite internacional.

A prova mais difícil: O Canal da Mancha é a prova mais difícil do mundo em águas abertas, essa é uma prova que muitos campeões olímpicos tentam fazer mas em sua maioria fracassam, muitas pessoas já morreram tentando fazer a travessia. O que torna a prova difícil são em grande parte suas correntezas e a temperatura da água que fica numa média de 14 a 18 graus.

www.escolainternacional.com.br/Portugues/FeiraCiencias

Serie Caderno perdido parte 3 Puro pau punk





Os ensaios do Aborto Elétrico aconteciam na própria Colina e o primeiro show foi em 1980, no centro comercial Gilberto Salomão, num barzinho chamado Só Cana. Era um show instrumental, Renato não cantava, Andre Pretorius quebrou a palheta e cortou os dedos nas cordas, continuando a tocar enquanto o sangue escorria. Foi o primeiro e único show do Aborto Elétrico com Pretorius na guitarra. Ele foi para a África do Sul servir ao exército de lá, naquela época dramaticamente envolvido na manutenção do Apartheid. Quem estava no Só Cana gostou. Nos colégios de Brasília começou a correr a notícia de que uns punks maconheiros tocavam uma música violenta. Os playboys da cidade não gostaram. Quando as turmas se encontravam, o pau comia.
Para Fê, a gente tava fazendo algo com nossas vidas, mexendo no ambiente onde a gente vivia, e isso despertava curiosidade e inveja. Logo, outros garotos seguiriam os passos do Aborto Elétrico, formando bandas e detonando o fenômeno musical do rock de Brasília.
Anos mais tarde, em entrevista Sônia Maia publicada na BIZZ. Renato disse que o Aborto Elétrico acabou virtualmente quando “Pretorius foi para a África do Sul matar negros”.
Flavio Lemos, irmão de Fê, assumiu o baixo no Aborto Elétrico e Renato pegou a guitarra. Os ensaios aconteciam na nova casa de Fê e Flávio no lago norte. Essa mudança para o Lago Norte também marca o começo do fim da turma da Colina, que passou a ter um novo ponto de encontro. Na nova casa de Fê, cercada por lindas árvores do cerrado. a turma fazia camisetas, cartazes e música no intervalo entre os baseados.
Renato sempre chegava com a idéia das letras e os acordes na guitarra. “Ficava fácil, porque as idéias que o ele trazia floresciam na banda”. lembra Fê. “Ele era um puta baixista também.” As músicas, raivosas e radicais, falavam muito de morte. Renato era um catalisador de sofrimentos na sua poesia, embora fosse doce e delicado no convívio diário.
Ainda em 1980, Pretonus voltou para umas férias em Brasíla e participou dos ensaios cruciais para a criação de "Música Urbana”, "Que País E Este", "Veraneio Vascaína”, “Conexão Amazônica” e “Baader-Meinhof Blues”. todas músicas que teriam grande impacto na história do rock brasileiro.
Em 1985. Andre Pretorius morreu de overdose nos Estados Unidos.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Dia da Mentira


Tudo começou em 1564, quando Carlos IX, rei de França, por uma ordonnance de Roussillon, Dauphine, determinou que o ano começasse no dia primeiro de Janeiro, no que foi seguido por outros países da Europa. É claro que, no início, a confusão foi geral, de vez que os meios de comunicação ainda eram inexistentes. Não havia rádio, televisão, nem mesmo o jornal, pois era a invenção da imprensa, por Gutemberg, só aconteceu muitos anos depois.

Antes de Carlos IX determinar que o dia primeiro de Janeiro fosse o começo do ano, este tinha início no dia primeiro de abril, o que resultou ficar conhecido como Dia da Mentira, por força das brincadeiras feitas com a intenção de provocar hilaridade. Surgiram, então, as brincadeiras (que os franceses denominavam de plaisanteries) em todo o mundo, como a da carta que se mandava por um portador destinada a outra pessoa, na qual se lia o seguinte: Hoje é primeiro de abril. Mande este burro pra onde ele quiser ir.

Seria um nunca acabar se fossem, aqui, relacionadas as brincadeiras referentes ao primeiro de abril. Até mesmo eram distribuídas cartas convidando amigos para assistirem ao enlace matrimonial de pessoas que nem sequer se conheciam, mencionando a igreja, o dia e a hora em que seria celebrado o suposto casamento.

Vejamos alguns primeiros de abril pregados pela imprensa mundial, conforme relata a revista Isto É, de são Paulo, n- 1488, edição de 8 de abril de 1998:

1) A África do Sul comprou Moçambique por US$ 10 bilhões. O anúncio do negócio fora feito na organização das Nações Unidas pelo presidente sul-africano Nelson Mandela. Deu no jornal Star, de Johannesburgo;

2) A Rádio Medi, de Tânger, no Marrocos, noticiou que o Brasil não iria participar da Copa do Mundo porque o dinheiro da seleção seria usado na luta contra o incêndio em Roraima;

3) A minúscula república russa Djortostão declarou guerra ao Vaticano. Motivo: arrebatar o título de menor Estado da Europa. Para tanto, ele teria doado seis metros quadrados de seu território a uma república vizinha. Isso tudo de acordo com o jornal Moscou Times;

4) Diego Maradona, ex-capitão da seleção argentina de futecol, é o novo técnico da seleção do Vietnã. Deu nos principais jornais vietnamitas;

5) Ao deixar o Senegal, o presidente americano Bill Clinton seria acompanhado de uma comitiva formada pelos primeiros 50 senegaleses que fossem à embaixada para pedir visto de entrada nos EUA. Assim informou o jornal Le Soleil, do Senegal. Centenas de senegaleses acreditaram na mentira e correram para a embaixada americana.

Noticiando o falecimento de Maurício Fruet, ex-prefeito de Curitiba e ex-deputado federal, a revista Isto é, são Paulo, n- 1510, edição de 9 de setembro de 1998, informou que ele era considerado o parlamentar mais brincalhão e espirituoso que passara pela câmara dos Deputados. Um exemplo: convocou uma falsa reunião de todo o secretariado do então governador Roberto Requião no dia 1- de abril de 1990 (havia 15 dias que Requião tomara posse). Os Secretários, sem entender nada, passaram toda a madrugada no palácio Iguaçu. De manhã, Fruet fez chegar a informação de que era um trote do Dia da Mentira. Tudo faz crer que as brincadeiras, originárias das plaisanteris francesas, continuem sempre a existir, graças à eternidade das manifestações folclóricas no mundo inteiro.

Na Inglaterra, quem "cai em 1º de abril" é chamado de noodle (pateta). Na França, de poisson d´avril ( peixe de abril); na Escócia, de april gowk ( tolo de abril); nos Estados Unidos, de april fool (bobo de abril).

www.soutomaior.eti.br/mario/paginas/cro_diam.htm

Serie Caderno perdido parte 2 by: Renato Russo


Subindo a Colina

Brasília. meados de 1978. ínicio do processo de abertura política que botou fim na dita­dura militar. Aos
16 anos, Felipe Lemos, filho de um professor da Universidade de Brasília, voltara de uma estadia na Inglaterra com os pais para morar num conjunto de quatro prédios, com vista para o Lago Norte, apelidado de Colina. Os apartamentos eram espaçosos e serviam de residência para os professores.
Numa noite, uns amigos levaram Fê a uma festa onde a vitrola tocava músicas do Sex Pistols, Ramones e The Clash, as mesmas que Fê Lemos ouvia na Inglaterra. Querendo saber quem era o dono dos discos, Fê foi apresentado a um sujeito estranho, que usava camisa social e andava segurando uma capanga numa mão e um guarda-chuva na outra. Era Renato Russo.
Foi uma afinidade imediata por causa daqueles discos e ele passou a freqüentar minha casa todo dia, lembra Fê. Logo Renato estava enturmado na Colina, onde viria a se formar o núcleo da maioria das bandas de Brasília. No começo era apenas uma turminha de garotos que gostavam de punk rock e se reuniam para ouvir música tomar porres de vinho Chapinha, fumar baseado e cheirar benzina de vez em quando.
Às vezes, o clima pesava. Renato e Fé, dopados e entediados, sentaram-se na escada de serviço de um dos prédios para conversar, Renato no degrau de cima e Fé no de baixo. De repente, sem aviso, Renato começou a fazer xixi nas calcas. Fiquei chocado. Provavelmente era o que ele queria, Levantei xingando e fui pra casa. Ele ficou lá, todo molhado, conta Fê. Nessa noite, como em muitas outras, Renato voltou para casa a pé, uma caminhada de pelo menos duas horas na escuridão da madrugada.
Renato ainda não tinha 20 anos. Chocar as pessoas era uma de suas prioridades.



Clube da criança junkie

Renato Russo respirava música. Seu quarto era um festival de colagens, mais de 500. Tinha tanta coisa para ver que quem entrava ali podia ficar horas de olhos grudados nas paredes. Havia também uma imensa coleção de discos e livros e um aparelho de som com quatro caixas, o melhor da cidade. Era nesse quarto que ele enfrentava o tédio das tardes de Brasília.
Renato era do tipo aglutinador. Ligava para todos da turma, marcava os encontros, tinha idéias para atividades em grupo e quando começava a falar era difícil pará-lo. Extremamente bem-informado, tinha uma cultura vasta e adorava planejar o futuro de sua própria vida. Tinha gente em Brasília que o achava chato. Pelo menos quando bebia demais e resolvia espalhar seu excesso de amor nos bares da cidade.
Ainda em 1978. Renato conheceu Andre Pretorius, que andava na cidade vestido de punk e era filho de um diplomata da África do Sul. Pretorius e Fê haviam combinado montar uma banda com André Muller, que estava morando na Inglaterra. Mas Renato precipitou os acontecimentos e convidou Fé e Pretorius para formar uma banda com ele no baixo, Fé na bateria e Pretorius na guitarra.
"A gente tava na Colina sentado no chão, pensando qual ia ser o nome da nossa banda. Eu tava com um negócio de elétrico na cabeça e alguém falou tijolo elétrico. Aí o Andre Pretorius falou: não, Aborto Elétrico", recorda Fê. Segundo ele, a versão de que o nome da banda é por causa de um cacetete elétrico. usado pela polícia de Brasília em atos de repressão, não é verdadeira.
Renato escreveu “I want to be a junkie” na parede do quarto, apesar de nunca ter sequer visto as drogas realmente pesadas. E começou a compor o repertório do grupo. Estava formada a "mãe" de todas as bandas de Brasília.